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A inserção do psicológo e sua responsabilidade social

Informações sobre o autor

 
Nível
Para todos
Estudo seguido
outros
Faculdade
UNIFENAS

Informações do trabalho

Marcos Botega S.
Data de Publicação
Idioma
português
Formato
Word
Tipo
estudo
Número de páginas
12 páginas
Nível
Para todos
Consultado
1 vez(es)
Validado por
Comitê Facilitaja
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  1. Introdução
  2. A clínica em extensão no campo social: a psicanálise
  3. O social na clínica: pscicologia sócio-histórica
  4. Discussão podemos falar de uma clínica do social?
  5. Conclusão
  6. Referências bibliográficas

Recentemente vem se consolidando no campo da Psicologia uma vertente crítica de trabalho comprometida com o social e com a realidade local concreta. Nem sempre, porém, essa vertente crítica atinge a clínica que, ainda hoje, permanece vinculada a uma prática tradicional com modelo no trabalhador liberal de consultório particular.
Além disso, a história da Psicologia nos evidencia uma tradição de trabalho associada ao controle, à higienização e à diferenciação que, desde os primórdios de seu nascimento, a associaram a práticas sociais e políticas de manutenção do status quo. Seja vinculada ao trabalho de controle dos indígenas, seja associada ao trabalho de exclusão dos loucos e desviantes nos grandes hospitais psiquiátricos que floresceram no início do século XX, seja ligada às práticas de medidas psicológicas nas escolas, como a da inteligência e a estigmatização escolar que daí se produzia, seja na busca do ?homem certo para o lugar certo? nas organizações de trabalho, uma Psicologia naturalizadora dos
intervenções e funcionava mais como um órgão de controle social, em geral associado e subordinado à Medicina, à Filosofia e à Pedagogia, que propriamente num campo autônomo e crítico de construção e pesquisa de conhecimentos específicos (ANTUNES, 1991).
No Brasil, somente em 1962, a Lei nº 4.119 institui a profissão do psicólogo, tornando a Psicologia um campo autônomo de trabalho e produção científica. Porém, já desde antes desse período, o desenvolvimento da Psicologia via-se associado a dicotomias. Seja a dicotomia entre objetividade e subjetividade, entre interno e externo, entre natural e histórico, objeto e sujeito, ou indivíduo e sociedade, a interpretação de mundo, de homem e da própria Psicologia, variava entre essas divergências instituídas como pólos de oposição. A consolidação de uma concepção de homem e de intervenção de base individualista, liberal e afastada da realidade brasileira, criava uma prática curativa, remediativa, a que chamaremos ?modelo clássico? de trabalho em Psicologia.
Esse modelo, eminentemente clínico, distanciava ainda mais a Psicologia dos problemas locais concretos da comunidade na qual se inseria. Ora, a prática clínica em Psicologia é herdeira do modelo médico. A origem do termo clínica traz associada a si a significação de inclinação sobre o leito de uma pessoa que sofre. Na Medicina, implica em uma prática de observar o fenômeno para sobre ele intervir, ou seja, uma prática sustentada pelo olhar. A Psicologia, ciência intermediária entre o saber médico e o filosófico-histórico, herdou esse método a partir das suas bases fisiológicas. Mas, em sua perspectiva filosófico-histórica, com a Psicanálise em particular, a clínica passou da dimensão do olhar para a da escuta. Nesse sentido, o deslocamento operou também uma maneira diferente de compreender o fenômeno, indicando um impossível de apreender, na medida em que a dimensão imaginária do olhar é deslocada pela simbólica, introduzindo o real, enquanto impossível de apreender, através do trabalho da associação livre. Operando com a escuta a partir do campo da linguagem, do significante, a Psicanálise introduz um impossível de compreender justamente pelo fato da linguagem veicular a dimensão pulsional que a ultrapassa, constituindo o sujeito, sempre, ao falar um resto por dizer, por significar. Como se vê, a origem clínica da Psicologia apoiou-se na perspectiva curativa e individual de trabalho advinda do contexto médico, o que a distanciou de intervenções junto aos problemas sociais.
Muitas vezes o psicólogo clínico por questões de mercado, ou seja, diante de um consultório esvaziado de clientes, busca outras alternativas profissionais, introduzindo-se em outros campos de atuação, eminentemente vinculados a instituições. Leva, entretanto, para o campo coletivo onde passa a intervir, a mesma orientação clínica do consultório particular, apesar de sua inadequação.
Por outro lado, vem se desenhando um outro modelo de se fazer Psicologia que denominaremos ?modelo crítico? por trazer uma tentativa de introduzir novas interpretações e novas soluções aos impasses contemporâneos encontrados. Em recente Mostra ficou evidente o crescimento do número de intervenções, clínicas ou não, que trazem a marca desse compromisso da Psicologia com o campo social. Planejada com a finalidade de divulgação e troca das experiências em Psicologia que rompem com a tradição e instituem uma nova relação com a sociedade, marcada por um compromisso com os interesses e necessidades da maioria da população brasileira, foi realizada em Outubro de 2000, em São Paulo, a 1ª Mostra de Psicologia e Compromisso Social. Foram quase 2500 trabalhos inscritos entre os mais diferentes campos de atuação profissional, buscando mostrar novas formas de de se trabalhar o compromisso social da Psicologia. Para além da clínica, mas também incluindo seus pressupostos, os trabalhos mostrados traziam a marca de uma postura crítica e comprometida com os impasses contemporâneos no Brasil.
Mas será que a Psicologia Clínica tem conseguido responder a esses impasses? Será que ela tem encontrado, ou pelo menos buscado, dentre seus subsídios teóricos, metodológicos e éticos, arsenal para se paramentar à urgência e rapidez com que as transformações sociais, tecnológicas e econômicas produzem mal-estar no campo sócio-subjetivo? Como e a partir de quais pressupostos ela tem se estruturado no campo clínico? Será possível manter o modelo do profissional liberal que trabalha sozinho em seu consultório como o paradigma da Psicologia Clínica contemporaneamente? O que muda aí para além das quedas do valor de consulta no mercado? Quais modalidades de intervenções clínicas podem autorizar, a partir do trabalho sobre o sujeito e o coletivo, a construção de uma postura profissional que produza efeitos sobre a forma de organização da civilização e seu mal-estar?
A inventividade somada ao rigor epistemológico têm produzido uma nova ética de trabalho, confessadamente comprometida com uma leitura mais ampla do contexto clínico, que inclui o campo social, e uma prática que redimensiona a instância subjetiva face à instância sócio-cultural. Podemos citar exemplos notórios que têm sido desenvolvidos, entre outros, no campo da clínica ampliada em Saúde Mental (LOBOSQUE, 2001; VENÂNCIO et alii, 1997; FIGUEIREDO, 1997; QUINET, 2001), junto aos meninos e meninas de rua (FEREZ, 1998; FERREIRA, 2000) ou à Psicologia Jurídica (BARROS, 2001; ALTOÉ, 1999), e o uso da Psicanálise em hospitais gerais (DECAT, 1998).

[...] Mas, em sua perspectiva filosófico-histórica, com a Psicanálise em particular, a clínica passou da dimensão do olhar para a da escuta. Nesse sentido, o deslocamento operou também uma maneira diferente de compreender o fenômeno, indicando um impossível de apreender, na medida em que a dimensão imaginária do olhar é deslocada pela simbólica, introduzindo o real, enquanto impossível de apreender, através do trabalho da associação livre. Operando com a escuta a partir do campo da linguagem, do significante, a Psicanálise introduz um impossível de compreender justamente pelo fato da linguagem veicular a dimensão pulsional que a ultrapassa, constituindo o sujeito, sempre, ao falar um resto por dizer, por significar. [...]


[...] Daí talvez se extraia o que aproxima o ponto comum da clínica do social, ou seja, sua sustentação ética: a singularidade da causa do desejo do sujeito, irredutível a qualquer universalização ou padronização O SOCIAL NA CLÍNICA: PSICOLOGIA SÓCIO-HISTÓRICA BOCK (2000), por outro lado, já tenta sistematizar a partir de um outro referencial os critérios para se afirmar que uma intervenção demonstra ?compromisso social?, deslocando seu campo de intervenção para o campo social e trazendo, com isso, impasses para a dimensão clínica. [...]


[...] Se a Psicologia sócio- histórica localiza sua intervenção dando ênfase ao campo sócio-histórico e a uma leitura que prioriza os efeitos do campo social sobre o indivíduo, por seu turno a Psicanálise se assenta na radicalidade de tomar um a um cada caso em sua singularidade, como possibilidade de resposta do sujeito diante do universal. Partindo da afirmação do inconsciente portanto, da concepção de que há sempre uma dimensão inapreensível de sentido, a Psicanálise fundou-se na prática clínica de escuta do sujeito, tomado um a um, na tentativa de elaboração de seus conflitos psíquicos. [...]

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