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Relatório em saúde coletiva

Informações sobre o autor

RECURSOS HUMANOS - PSICOLOGIA CLÍNICA
Nível
Especializado
Estudo seguido
GRADUAÇÃO...

Informações do trabalho

FERNANDA ANGÉLICA C.
Data de Publicação
Idioma
português
Formato
Word
Tipo
estudo
Número de páginas
18 páginas
Nível
Especializado
Consultado
443 vez(es)
Validado por
Comitê Facilitaja
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  1. Desenvolvimento infantil
  2. Primeiro ano: estágio de dependência, oralidade e primeiras relações objetais
  3. Segundo e terceiro ano: estágio do controle corporal, da analidade, do desenvolvimento da linguagem
  4. Descrição e reflexão sobre as atividades desenvolvidas
    1. Oficina de brinquedos com a terapia ocupacional (T.O.)
    2. Atendimento individual e em grupo
    3. Sala de espera
    4. Acolhimento em grupo de pessoas que procuraram a UBS para atendimento psicológico
    5. Visitas com a pastoral
    6. Grupo de puericultura

FREUD, em 1918 num Congresso em Budapeste já havia dito:

?é possível prever que, mais cedo ou mais tarde, toda a consciência da sociedade despertará e lembrar-se-á de que o pobre tem exatamente o mesmo direito a uma assistência à sua mente, quanto o tem, agora, à ajuda oferecida pela cirurgia, e de que as neuroses ameaçam a saúde pública não menos que a tuberculose, de que, como esta também não podem ser deixadas aos cuidados impotentes de membros individuais da comunidade. Quando isso acontecer, haverá instituições com clínica de pacientes externos, para as quais serão designados médicos analiticamente preparados, de modo que os homens que de outra forma cederiam à bebida, mulheres que praticamente sucumbiriam a seu fardo de privações, crianças para as quais não existem escolhas a não ser o embrutecimento ou a neurose, possam tornar-se capazes, pela análise de resistência e de trabalho eficiente. Tais tratamentos serão gratuitos. Pode ser que se passe um longo tempo antes que o estado passe a compreender como são urgentes esses deveres ou mais tarde, contudo, chegaremos a isso. Defrontar-nos-emos então com a tarefa de adaptar nossas técnicas às novas condições. () Precisamos buscar formas mais simples e mais facilmente inteligíveis de expressar as nossas doutrinas teóricas?

A escolha dessas palavras de Freud não foram aleatórias para dar início a este relatório. Neste trecho citado, podemos observar sua preocupação com a classe menos favorecida, sua preocupação em como adaptar as doutrinas teóricas da psicologia à necessidade de atender camadas menos favorecidas da população, o coletivo. Vemos assim, que nos deparamos aqui em questão de saúde mental, saúde pública, ?saúde coletiva?, chegando desta forma ao foco deste relatório.
Inúmeras foram as mudanças que ocorreram no mundo desde 1918. Em meados de 1962, quando a psicologia foi regulamentada como profissão, os psicólogos começaram a se aproximar de setores menos favorecidos economicamente, surgindo dessa forma a psicologia comunitária. Da década de 60 até hoje, houve grandes transformações com relação ao papel do psicólogo que atua em rede pública e social. As universidades modificaram seus currículos em busca de um melhor preparo do psicólogo para lidar com o social, o coletivo, almejando formar profissionais críticos, construtivos, éticos e com domínio de bagagem teórica para atuarem em saúde mental.
Entretanto, não foram todos os profissionais que seguiram essa evolução e a atual condição da saúde pública no país tem dificultado um pouco a atuação devido a falta de verbas e recursos destinados aos hospitais públicos.
Tendo em vista o conhecimento de saúde mental, realizou-se o estágio em Saúde Coletiva III, oferecido pela Universidade .do curso de Psicologia, com o intuito de fornecer subsídios práticos à formação profissional do Psicólogo.
O estágio consiste em supervisões semanais, sob perspectiva de um método clínico e visão social. Também possibilita a aquisição de conhecimentos teórico-práticos que resultarão numa aprendizagem do dado psicológico contextualizado pela interdisciplinaridade.
Através dele, entramos em contato com as instituições de Saúde da cidade, onde os estagiários foram divididos em trabalhos realizados na Unidade Básica de Saúde. Nessa divisão tivemos a oportunidade de participar de trabalhos desenvolvidos na Unidade Básica de Saúde.
É um estágio da área social, visando o bem-estar do indivíduo que procura ajuda através da instituição, para diminuir o sofrimento mental. Tem-se o intuito de trazer à reflexão do leitor aspectos da doença mental, que ora são camuflados pela família ou pelo próprio paciente, e sociedade.
Tentarei mostrar minha experiência como estagiária de psicologia junto à instituição, sendo necessário falar um pouco sobre o SUS, bem como o trabalho do psicólogo social, o desenvolvimento biopsicosocial humano, a importância da família na estruturação psíquica do ser humano, e como se dá o atendimento da equipe da UBS.
Para uma melhor compreensão das atividades realizadas nesse estágio e relatadas neste relatório final, faz-se necessário um embasamento teórico.
O primeiro assunto a ser questionado é se a Saúde Mental é prioridade de Saúde Pública. De acordo com o texto de SAAD (1983), as instituições sociais, em grande parte, selecionam e apontam o material sobre o qual o profissional da saúde será chamado a intervir. Ele acrescenta que a Saúde Publica tem importante papel a desempenhar em respostas as complexas questões concernentes às doenças mentais, pois muitas das patologias atuais são de ordem social, como: o suicídio, a criminalidade, a delinqüência juvenil, violência, a prostituição, etc. O profissional responsável deve estudar as enfermidades mentais em coletividade, levantar hipóteses sobre as determinantes individuais, ambientais e culturais capazes de influenciar, de algum modo, na precipitação e na evolução de um problema mental, e assim, concentrar prioridade na sua atenção.
Para completar o pensamento acima, tem-se o seguinte trecho de suma importância para o profissional que lida com várias comunidades: ? identificar o modo como em diferentes lugares e momentos, uma determinada realidade social é construída, pensada, dada a ler?(CHARTIER, 1990: 16-17 citado por CARDOSO, M. Helena C. A., GOMES, Romeu).

Ainda, segundo CARDOSO e GOMES, é relevante dizer que, as representações sociais constituem uma realidade, e que, dependências reciprocas que unem indivíduos entre si são a matriz formativa da sociedade, devendo o mundo social ser pensado como uma rede de relações. Isto é, nós indivíduos somos seres únicos e individuais, cada qual com suas particularidades, mas somos também, seres sociais, que vivemos em comunidade e interligados uns aos outros, nos relacionando.
Conforme CONTANDRIOPOULOS, (1998), atualmente reconhecemos que o homem é um ser biológico e psicossocial em interação. Mas, levando em consideração o tema de base desse relatório (Saúde e Doença), ainda não é compreendido como o contexto social, em seu sentido mais amplo e em toda a sua complexidade, age sobre as pessoas para melhorar sua saúde, e em caso de doença, como poderá curá-la. O que se sabe, é que modificações deveriam ser feitas no ambiente social para que ele produza o que é necessário a melhoria da saúde da população.
Assim sendo, considerando a Saúde Coletiva, ações dirigidas no qual, devem ter como foco as populações, o meio ambiente, a sociedade. DIMENSTEIN (1998) diz que o essencial é a descentralização, que a saúde da comunidade deve ter um primeiro atendimento a nível local. Que deve haver estabelecimentos de uma base territorial que possibilite a orientação para problemas identificados em relação a uma população e a um espaço determinados, bem como a caracterização do impacto das ações desenvolvidas.
Por exemplo, a criação de UBS's (Unidade Básica de Saúde), poderia proporcionar esse tipo de serviço de atendimento a comunidade. Trabalhos em equipe, dispondo de vários profissionais da saúde poderia oferecer aos pacientes locais, um "olhar" diferente para a pessoa como um todo. Aqui cabe levantar algumas posições de um trabalho psicológico. O objeto de estudo da Psicologia da Saúde, pois, volta-se à ordem de significações subjetivas e culturais sobre a doença e o doente existente numa dada sociedade. Há uma ênfase na dimensão histórica, no contexto social, econômico, demográfico e nos valores investidos nos discursos sobre normal/patológico, vida/morte e produção de saúde/doença num determinado quadro sociocultural. Além disso, a Psicologia da Saúde preocupa-se com a satisfação da população com os serviços e com as formas de utilização os mesmos, bem como privilegia a participação da comunidade em sua avaliação (DIMENSTEIN, 1998, p.15).
O psicólogo pode e deve propor alternativas para os inúmeros problemas que a nossa sociedade enfrenta. Não podemos nos ausentar dessa responsabilidade social e de contribuir através dos nossos conselhos profissionais nas políticas públicas nacionais. (DIMENSTEIN, 1998, p.8).
O mesmo autor levanta a importância do psicólogo redimensionar seus modelos de atuação e do próprio papel da psicologia. Acrescenta que é um enorme desafio profissional e político. Para isso, talvez seja preciso, que o psicólogo saia da sua sala reservada e trabalhe em outras esferas, seja nos corredores dos postos e ambulatórios de saúde, seja fazendo parte das equipes de Programa de Saúde da Família (PSF) e de Agentes Comunitários de Saúde (PACS), seja fazendo parcerias com nutricionistas e assistentes sociais, por exemplo. Além disso, é preciso que o profissional redefina seu arsenal teórico-prático para assim ter mais possibilidades de interação na formulação das políticas e no seu próprio campo de atuação profissional.
No final da década de 70, segundo DIMENSTEIN (1998), o campo da assistência pública a saúde cresceu fundamentalmente, onde o psicólogo passou a representar a sexta categoria profissional mais numerosa no campo da saúde. O autor também ressalta que a entrada do psicólogo nas UBS's proporcionou uma supervalorização cultural da profissão, que foi reconhecida como essencial para a sociedade.
A partir disso, estabeleceu-se um vínculo maior entre o psicólogo e a sociedade. Essa entrada do psicólogo no setor público ocorre quando prevalece a insatisfação generalizada dos usuários e profissionais da saúde em relação ao modelo precário de assistência a população. Outro dado importante é a inserção do psicólogo como membro da equipe de saúde pública, com isso ele teve um maior acesso às instituições públicas de saúde.
De acordo com LEITE (1997) as transformações sócio-culturais, ocorridas a partir dos anos 90, abriram novos espaços para a prática do psicólogo. A autora levanta um dado importante: a formação do psicólogo deve ser revisada para lhe oferecer uma visão de saúde mental ampliada e a criação de uma identidade profissional. BAZZO (1997), cita outro fator importante a ser observado é a situação da saúde mental dos funcionários públicos das UBS's, sendo essencial à presença do psicólogo para apoiar esses profissionais e orientá-los em suas questões emocionais (depressão, angústias, desprazer no trabalho, estresse, etc). Esses sintomas não são apenas conseqüências de sua relação com o trabalho, mas também de conflitos em sua vida pessoal, insegurança, solidão.
Com isso, vemos a necessidade de se reformular as UBS's e a saúde pública de forma geral, com bases nas reais necessidades dos usuários e nas condições da equipe de profissionais (CARVALHO e CAMPOS, 2000). A UBS, de acordo com esses autores, deve atender a população, fazendo inclusive visitas domiciliares quando necessário, sendo isso uma vigilância à saúde. Para isso é preciso construir uma aliança entre profissional e usuário.
Para a eficácia desse serviço de saúde, é essencial conhecer o conceito de saúde e doença (in Epidemiologia Geral). Tradicionalmente a saúde é vista como o oposto da doença. Porém, a saúde não pode ser definida apenas por essa forma. A saúde envolve a adaptação do organismo a seu ambiente. Não se pode falar somente da saúde individual. Sendo o indivíduo um ser que vive em sociedade, deve-se então se falar, estudar e buscar melhorias a Saúde Coletiva, ou seja, da sociedade na qual ele está inserido. Isso envolve, principalmente, o trabalho de prevenção de doenças e a promoção de saúde. Em Epidemiologia Geral, a saúde pública é conceituada como a atividade social destinada a promover e a preservar a saúde da população.
A saúde, que consiste no estado de completo bem estar físico, mental e social, e não apenas na ausência de doença ou enfermidade é direito fundamental dos seres humanos; o acesso ao nível de saúde mais elevado possível é um objetivo social extremamente importante que interessa ao mundo inteiro e supondo a participação de numerosos setores sócio-econômicos, e não exclusivamente daqueles ligados à saúde.
DIMENSTEIN (1998) definiu o SUS ? Sistema Único de Saúde ? em 1998 como um sistema formado por várias instituições nos três níveis de governo (União/ Estados/ Municípios) e pelo setor privado e conveniado como um conjunto de ações, serviços e unidades que se integrariam, visando as atividades de proteção, promoção e recuperação da saúde.
As doutrinas do SUS têm os mesmos princípios organizativos em todo território nacional, sob a responsabilidade das três esferas autônomas de governo federal, estadual e municipal. É um sistema que significa um conjunto de unidades de serviços e ações que interagem para um fim comum. Estes elementos integrantes do sistema referem-se, ao mesmo tempo, às atividades de promoção, proteção e recuperação da saúde.
O SUS é, portanto, de caráter público, formada por uma rede de serviços regionalizada, hierarquizada e descentralizada, com direção única em cada esfera de governo e sob controle de seus usuários.
Ainda que este conjunto de idéias, direitos, deveres e estratégias não possam ser implantados automaticamente e de imediato, o que deve ser compreendido é que a implantação do SUS tem por objetivo melhorar a qualidade de atenção à saúde do país, rompendo com o descompromisso social e a emocionalidade técnico-administrativa, sendo a imagem ideal de um trabalho voltado para a comunidade como um todo. Mas a realidade é essa.
A escassez de recursos financeiros, expressada no baixíssimo gasto da renda per capta em saúde, conduz a um importante sucateamento das instituições públicas do setor ao aviltamento dos preços dos serviços comprados à rede privada pelo SUS e a salários absolutamente incompatíveis com as responsabilidades que pesam sobre os profissionais de saúde. A saúde, portanto, está intimamente relacionada com a qualidade de vida.
Não é sempre que uma pessoa pode dizer que sente um completo bem estar físico e mental. Quando se pensa num grupo de pessoas de uma comunidade, fica mais complicado se pensar em saúde, pois nas relações sociais ocorrem conflitos, preconceitos, exclusões e rejeição. Uma pessoa sozinha não é capaz de dar conta de sua existência, nós necessitamos uns dos outros para que possamos ser nós mesmos. Penso que a comunidade pode ser tanto favorecedora de saúde como de doença.
Percebe-se que o sistema de saúde do país vem sofrendo constantes transformações neste século, acompanhando as transformações econômicas, socioculturais e políticas da sociedade brasileira. As transformações em curso correspondem muito mais à lógica da acumulação do capital no setor saúde, do que as reais necessidades de saúde da população.
Constata-se que as necessidades básicas e de saúde da população brasileira não são adequadamente assistidas, são apenas para a pequena minoria. A saúde é, portanto, resultante de determinadas condições de vida e de trabalho numa sociedade. A própria comunidade deve lutar pelos seus direitos, não ficar esperando de "braços cruzados?; a transformação começa através da mudança de pensamento, de atitudes, de ações de vida dentro da comunidade.
Segundo CAMPOS (1996, p. 18), a história da assistência aos portadores de doença mental no Brasil é conhecida mais pelos seus desacertos do que por modelos assistenciais efetivos. Esses acertos incluíam uma política de exclusão referenciada no modelo de ?depósitos de loucos?. A filosofia subjacente a esse modelo tradicional implicava numa representação do doente mental como um ?não-ser social?, ao qual todos os direitos reservados aos cidadãos eram negados e como um ?não-ser humano?, do qual eram retirados toda a individualidade e respeito humano e também, negada a identidade.
Ainda, de acordo com esse autor, as práticas institucionais e sociais voltadas para a assistência ao doente mental resumiriam-se a garantir-lhes a sobrevivência física e a mantê-los inofensivos, através de procedimentos inibidores como o uso de substâncias químicas.
Apesar de sabermos que esse olhar e essa concepção predominante da doença mental, com todas as implicações psicossociais decorrentes, ainda persistem em alguma parte das instituições, penso que mudanças têm ocorrido e essas nos permitem criar expectativas de novos modelos assistenciais. Alguns têm sido implantados e servirão como multiplicadores de uma nova filosofia assistencial que privilegie o cidadão e o doente mental.
Acredito que alguns profissionais da saúde mental de diferentes formações têm questionado o modelo vigente e proposto formas alternativas de assistência ao doente mental ao mesmo tempo em que se reflete sobre as atuações disciplinares que visem a profilaxia e ações preventivas na saúde mental de maneira global.
Percebo que ainda existe uma grande resistência por parte das instituições e de alguns setores da sociedade, à efetivação dessas mudanças, embora todos reconheçam a falência do modelo assistencial atual. Essa resistência pode ser entendida como modificada e justificada por diferentes fatores psicossociais. Numa perspectiva social, predomina uma representação social negativa da doença mental, implicando em atitudes preconceituosas, estereotipadas e excludentes por parte da sociedade e dos próprios profissionais dessas instituições.
Diversos estudos têm mostrado, sob diferentes ângulos de análise, o quanto à loucura habita o imaginário social, nos remetendo ao questionamento de nossa própria razão e do pavor de perdê-la.
Um profissional que trabalha em uma instituição para doentes mentais, deve ter uma vida psíquica bem trabalhada e sadia, pois, lidar com o doente mental requer habilidades, ética, profissionalismo e uma adequada estruturação psíquica.
Penso que mudar o modelo assistencial em saúde mental significa assim, determinação ética e política que passa por e acarreta mudanças nos níveis social, institucional e individual.
FIGUEIREDO (1998) considera que o homem acredita na força de construir realidades e de solucionar problemas, criar realidades harmoniosas e livres de qualquer tensão. Por outro lado, somos capazes de transgredir com grande naturalidade, não respeitando muitas vezes o doente mental e o dependente químico.
É necessário que cada vez mais, as entidades que representam a população se mobilizem em organizações que possibilitem uma representação contínua e regular, para que possam defender seus interesses.
Para que haja estabilidade na família, deve haver um padrão delicado de equilíbrio e intercâmbio emocional entre seus membros, devido ao fato de que o comportamento de cada membro é afetado por todos os outros. Assim, uma doença emocional de um membro pode integrar ou desintegrar uma relação familiar. Também essa doença pode completar a de um outro ou ter efeitos antagônicos.
Segundo PRADO (1994, p.23) a etimologia da palavra sintoma vem do grego, symptoma e significa coincidência, acidente, acontecimento. Assim, a autora entende a circunstância familiar como uma conjugação entre aquilo que pode e o que não pode ser dito, o que pode e não pode ser pensado e consequentemente o sintoma do paciente identificado. O paciente identificado como porta voz das fantasias, dificuldades e tensões familiares, é visto como o portador da doença, deste modo, os demais membros familiares pensam diminuir um pouco o risco de enlouquecerem.
Acredito que os profissionais da saúde, inclusive os psicólogos, precisam conhecer e aprender sobre o trabalho que irão realizar, sendo necessário não só conhecer sobre as práticas de saúde, como também refletirem e discutirem a respeito da mesma. Suas idéias sobre saúde e doença, irão influenciar em grande parte na sua prática. E como se dá a prática do psicólogo social?
Segundo ZAJONC, citado por RODRIGUES (1999, p.179), a Psicologia Social é o estudo da dependência e da interdependência entre as pessoas. Assim, estuda a influência recíproca entre as pessoas.
A psicologia social trabalha diretamente com as diversas camadas da sociedade em busca de melhores condições psíquicas para a população. Ela vai até onde se encontra a demanda e procura meios de intervir da melhor forma possível para que se alcance uma estruturação psíquica mais saudável.
Um fator importante para um bom desenvolvimento é a estrutura familiar. De acordo com GOLDEMBERG (1998), a criança nasce com um potencial biológico, psicológico e social. Seu desenvolvimento depende da qualidade das primeiras relações entre o bebê e seus pais, primeiro núcleo social representativo da sociedade e cultura. A partir dessas relações criam-se condições para o desenvolvimento biopsicosocial e de conceitos como liberdade, moral.
Referindo-se à desestruturação familiar, pode-se dizer que se apresentam como pais ausentes, agressivos ou alcoólatras que passam a transmitir, como um espelho, suas atitudes para os filhos. Os mesmos sofrem um impacto com tal vivência que pode ser sentida por eles de maneira muito intensa principalmente quando na infância passa a apreender modelos dos mesmos.
Um indivíduo que só presenciou abandono e frustração dificilmente terá um futuro favorável, se o mesmo não tiver oportunidade de resgate de si mesmo, da auto-estima.
Quando se cresce em condições de abandono atinge a idade adulta num estado de profunda desvantagem em relação a outros adultos criados dentro de um contexto familiar. Seus aspectos cognitivos, afetivos, em suas relações com o mundo externo e interno, em termos de desenvolvimento, percepção e integração, sofrem falhas e distorções irreparáveis ao longo da vida.
Segundo ACKERMAN (1986, p.20), a identidade do indivíduo é simultaneamente individual e social, sendo assim uma imagem refletida, um microcosmo de seu grupo familiar. Em decorrer desse fato, os critérios para saúde e doença mental não podem ser restritos ao indivíduo, devendo englobá-lo dentro do grupo bem como sendo o grupo. Assim, fazem parte de um continuum os males que afligem indivíduo, família e sociedade.
?A família é a agência psíquica da sociedade, o berço da personalidade? (ACKERMAN, 1986, p.61).
BILAC, E. D. citada por RIBEIRO, I et al (1995, p.43), considera a família, como uma instituição mediadora entre o indivíduo e sociedade e contempla, simultaneamente, tanto as relações internas, quanto às relações externas de seus membros. Ao mesmo tempo em que busca estabelecer quais as relações existem na família em relação à divisão de papéis, poder, autoridade, busca também precisar que relações são estabelecidas com as outras dimensões da sociedade.
ACKERMAN (1986, p.29) vem mostrar que a família é a unidade básica de crescimento e experiência, desempenho ou falha, bem como de saúde e doença.
Percebe-se que o equilíbrio da vida afetiva está na dependência da integração entre as necessidades instintivas e o meio ambiente. O organismo com seus recursos procura satisfazer suas necessidades internas em busca de um estado de equilíbrio vital.
Para um indivíduo possuir um bom desenvolvimento psíquico, este terá que começar a se organizar desde cedo, não tendo muitas detenções no desenvolvimento, necessitando de uma família suficientemente boa, estruturada, para que este tenha melhores condições de vir a ser um adulto "normal". E a família constitui o primeiro grupo a qual o indivíduo possui.
Como dito acima, a importância de se pertencer a grupos se inicia na família, se estendendo à sociedade. No Sanatório Espírita de Uberaba (outro campo de estágio oferecido) também se encontram trabalhos em grupos ora com fins psicoterapêuticos, ora não.

[...] Algumas considerações sobre saúde mental dos funcionários públicos. Psicologia, Ciência e Profissão 41-44. CARVALHO, S. R.; CAMPOS, G. W. S. Modelos de atenção saúde: a organização de Equipes de Referencias na rede básica da Secretaria Municipal de Betim, Minas Gerais. Cad. de Saúde Publ.; Rio de Janeiro 507-515, abr-jun CAMPOS, R.H.F.(org). Psicologia Social Comunitária: da solidariedade à autonomia. Petrópolis. RJ: Vozes 179p. CARDOSO, M. H. C. A.; GOMES, R. Representações sociais e histórica: referenciais teórico- metodológicos para o campo da saúde coletiva. [...]


[...] Acolhimento em grupo de pessoas que procuraram a UBS para atendimento psicológico: Este acolhimento favorece a inserção na UBS, de pacientes que procuram ou são encaminhados para atendimento psicológico. Percebe-se que a demanda à procura de atendimento é mais voltada para o atendimento infantil. Isso devido ao fato de mães estarem buscando atendimento para os filhos e a partir desse primeiro contato com elas, verifica-se que a criança chega à Unidade, com uma queixa, que melhor investigada, toma proporções de desestruturação familiar. [...]


[...] Tendo em vista o conhecimento de saúde mental, realizou-se o estágio em Saúde Coletiva III, oferecido pela Universidade . do curso de Psicologia, com o intuito de fornecer subsídios práticos à formação profissional do Psicólogo. O estágio consiste em supervisões semanais, sob perspectiva de um método clínico e visão social. Também possibilita a aquisição de conhecimentos teórico-práticos que resultarão numa aprendizagem do dado psicológico contextualizado pela interdisciplinaridade. Através dele, entramos em contato com as instituições de Saúde da cidade, onde os estagiários foram divididos em trabalhos realizados na Unidade Básica de Saúde. [...]

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