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Indisciplina na adolescência

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Nível
Para todos
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Universidad...

Informações do trabalho

Andréa F.
Data de Publicação
Idioma
português
Formato
Word
Tipo
tese
Número de páginas
25 páginas
Nível
Para todos
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  1. O ADOLESCENTE
  2. A INDISCIPLINA NA ADOLESCÊNCIA
  3. REPENSANDO NAS PRÁTICAS
  4. A FAMÍLIA

RESUMO

A adolescência é um período da vida em que acima de tudo, o jovem tem necessidade de ser reconhecido pelos outros, o que faz acentuar o desejo de pertencer a um grupo de referência e proceder a um afastamento progressivo das influências familiares. O problema da disciplina na sala de aulas é um dos que atualmente preocupa mais os professores, sobretudo os mais novos ou inexperientes. Sem o mínimo de silêncio e de ordem, não é possível concentrar-se no ensino e aprendizagem. A indisciplina na escola é um dos temas mais prementes e inquietantes do discurso e da prática psicopedagógica, absorvendo esforços significativos de todos os envolvidos no contexto educativo. A importância desta problemática tem justificado sucessivos estudos, contribuindo para um maior esclarecimento do fenômeno, adaptando como ponto de partida esta idéia de que a indisciplina é efetivamente um problema educativo que parece manifestar-se simultaneamente com a ocorrência de insucessos acadêmicos no seu sentido mais estrito.
Portanto, a presente monografia faz um levantamento das possíveis respostas para os questionamentos importantes sobre a origem da indisciplina, identificando fatores condicionantes no aspecto da indisciplina na adolescência.


METODOLOGIA

O trabalho monográfico a seguir apresenta uma fonte de pesquisa bibliográfica das obras de alguns autores com base na realidade educacional, bem como o, questionamento das causas indisciplinares, a reflexão psicopedagógicas e as medidas que podem ser tomadas para amenizar o problema. As informações abordadas têm como objetivo explorar o assunto para um maior esclarecimento às pessoas que estejam ligadas à área educacional ou mesmo àquelas interessadas em conhecer a questão da indisciplina dos adolescentes.

INTRODUÇÃO

Na tarefa de educar um filho, a adolescência é certamente o período mais difícil para os pais. Provavelmente também para o filho adolescente. Para entendermos o adolescente, faz-se necessário que entendamos o que é a adolescência afinal.
Falar de disciplina na fase da adolescência pareceria algo impossível, visto que justamente nesta crise vivenciada da passagem da infância à vida adulta, o jovem enfrenta um grande número de dificuldades, mudanças e adaptações que o desajustam, não ficando fora o respeito às normas e leis estabelecidas. O adolescente vive um permanente desajustamento que o impulsiona a se encontrar consigo mesmo e a se reconhecer como a pessoa que é e quer chegar a ser em um futuro. A isto chamamos ?procura da identidade?, que é a tarefa mais importante a ser realizada nestes anos tempestuosos.
Uma das questões mais discutidas no âmbito escolar está ligada à indisciplina, essa constantemente gera muita polêmica, as causas são inúmeras e dificilmente se chega a uma conclusão.
Nesse sentido, o primeiro passo a ser traçado é a realização de uma análise no ?embrião? do problema, ou seja, na origem da questão, é partir daí que se conhecem os motivos que levam os indivíduos a comportar de forma indisciplinada.
Antes de julgar o comportamento de alguns é preciso verificar a realidade da escola, da família, o psicológico, o social, além de muitos outros.
As manifestações de indisciplina, muitas vezes, podem ser vistas como uma forma de se mostrar para o mundo, mostrar sua existência, em muitos casos o indivíduo tem somente a intenção de ser ouvido por alguém, então para muitos alunos indisciplinados a rebeldia é uma forma de expressão.
Muitas escolas não oferecem espaços adequados para a prática de esportes, para brincar ou correr nos intervalos. Diante disso, o espaço escolar fica limitado somente à sala de aula, como os adolescentes detêm muita energia, a falta de locais para gastar essa energia conduz à indisciplina.
Outro aspecto de grande relevância é a família, problemas de diversas ordens podem acarretar na indisciplina escolar, talvez esse aluno conviva em um lar desestruturado onde os pais não se respeitam e assim reproduzem o que presencia em casa na escola.
A ação da Família começa desde o berço, muito antes da ação da escola. Sendo a importância da ação familiar na tarefa educativa reconhecida pela escola, impõe-se uma íntima colaboração, que deverá significar a ajuda mútua na consecução do ideal educativo.
Além disso, problemas psicológicos e sociais atingem diretamente o rendimento escolar, mais precisamente no fenômeno da indisciplina que se tornou, nos últimos anos, um dos principais problemas da educação no Brasil.
A indisciplina cresce constantemente, produto de uma sociedade na quais os valores humanos tais como o respeito, o amor, a compreensão, a fraternidade, a valorização da família e diversos outros foram ignorados.
Tendo em consideração a amplitude deste tema, serão tratadas apenas algumas reflexões, não numa perspectiva de meta de chegada de conhecimentos definitivos, mas de ponto de partida para outras abordagens interativas do ato educativo. Como a indisciplina constitui, atualmente, um dos problemas mais graves que a escola enfrenta, é questionado já algum tempo os efeitos negativos que ela produz em relação aos docentes.
A temática desta pesquisa surgiu também por se considerar que tal questão, no cotidiano das salas de aula, tem se constituído em uma das maiores dificuldades encontradas por muitos educadores em sua prática educativa.
A busca de respostas, com algumas reflexões, como o do porque da indisciplina, como resgatar os alunos deste pedido de socorro, e como resgatar os professores, em quanto verdadeiros educadores, são caminho árduos, porém certos para bons resultados.

CAPÍTULO I

O ADOLESCENTE

Adolescência é uma etapa intermediária do desenvolvimento humano, entre a infância e a fase adulta. Não se trata apenas de uma mudança na altura e no peso, nas capacidades mentais e na força física, mas, também, de uma grande mudança na forma de ser, de uma evolução da personalidade. Este período é marcado por diversas transformações corporais, hormonais e até mesmo comportamentais.
Não se pode definir com exatidão o início e fim da adolescência (ela varia de pessoa para pessoa), porém, na maioria dos indivíduos, ela ocorre entre os 10 e 20 anos de idade (período definido pela OMS ? Organização Mundial da Saúde).
Muitas pessoas confundem adolescência com puberdade. A puberdade é a fase inicial da adolescência, caracterizada pelas transformações físicas e biológicas no corpo dos meninos e meninas. É durante a puberdade (entre 10 e 13 anos entre as meninas e 12 e 14 entre os meninos) que ocorre o desenvolvimento dos órgãos sexuais. Estes ficam preparados para a reprodução.
Na puberdade, acontece a culminância de um período de maturação hormonal próprio do ser humano. Dentro desse período que se inicia também a adolescência que é um processo psicológico e social, uma iniciação ao ?mundo dos adultos?. É um período onde o jovem vive cheio de ansiedade, alterações no comportamento e grandes tensões. Está claro que os fatores culturais estabelecidos pela sociedade irão afetar todos os sentimentos aflorados pela própria puberdade, trazendo muitas vezes dificuldades de ajustamentos.
Durante a adolescência ocorrem significativas mudanças hormonais no corpo. Além de favorecer o aparecimento de acnes, estes hormônios acabam influenciando diretamente no comportamento dos adolescentes. Nesta fase, os adolescentes podem variar muito e rapidamente em relação ao humor e comportamento. Agressividade, tristeza, felicidade, agitação e preguiça são comuns entre muitos adolescentes neste período.
Por se tratar de uma fase difícil para os adolescentes, é importante que haja compreensão por parte de pais, professores e outros adultos. O acompanhamento e o diálogo neste período são fundamentais. Em casos de mudanças severas (comportamentais ou biológicas) é importante o acompanhamento de um médico ou psicólogo.
Uma marca comum da maioria dos adolescentes é a necessidade de fazer parte de um grupo. As amizades são importantes e dão aos adolescentes a sensação de fazer parte de um grupo de interesses comuns.
Atualmente se fala muito em adolescência, em crise adolescente. As tentativas de lançar luz sobre o fenômeno trazem consigo uma infinidade de questões, atuais e complexas, que envolvem, sobretudo, os jovens de nossa sociedade.
Adolescência é uma das etapas do desenvolvimento humano caracterizada por alterações físicas, psíquicas e sociais, sendo que estas duas últimas recebem interpretações e significados diferentes dependendo da época e da cultura na qual está inserida.
Os jovens não são crianças, mas também não são adultos. É normal oscilar entre uma fase e outra do desenvolvimento. Assim os pais cobram atitudes de responsabilidade, de adultos, mas também os acham crianças para outros padrões de comportamento. É uma etapa de buscar informações, e podem sofrer por não terem as informações. Cabe aos pais, professores ou psicoterapeutas exercer o papel de provedor da informação.
Jovens em fase de adolescência ficam constantemente aborrecidos com as limitações impostas por adultos e podem sentir revoltas. Limites são muito importantes e devem ser colocados, todavia, os meios pelos quais serão colocados podem ser inúmeros, e não precisam ser limitantes nem ?aborrecentes?. Os adolescentes costumam serem dóceis e amáveis, mas são flexíveis quando conseguem na hora um diálogo onde são compreendidos, assim então acaba criando-se um ambiente de confiança, amizade e ajuda na busca de soluções com maior rapidez e eficiência.
Levando em conta o cenário existente, o jovem da sociedade atual sendo sensível aos acontecimentos, percebe e sente como ninguém, a(s) crise(s) da qual (os adultos, também) vivem; seja ela de qualquer valor, educacional, ética, moral, econômica, política, etc.

CAPÍTULO II

A INDISCIPLINA NA ADOLESCÊNCIA

O conceito de indisciplina é susceptível de múltiplas interpretações. Um aluno ou professor indisciplinado é em princípio alguém que possui um comportamento desviante em relação a uma norma explicita ou implícita sancionada em termos escolares e sociais. Estes desvios são, todavia denominados de forma diferente conforme se trate de alunos ou de professores. Os primeiros são apelidados de indisciplinados, os segundos de incompetentes. Com efeito, para fins deste estudo serão abordados os comportamentos desviantes dos alunos. Portanto, a indisciplina pode implicar violência, mas não é necessário que esta ocorra. É neste sentido que alguns autores distinguem vários níveis de indisciplina, tais como: perturbação pontual que afeta o funcionamento das aulas ou mesmo da escola; conflitos que afetam as relações formais e informais entre os alunos, que podem atingir alguma agressividade e violência conflitos que afetam a relação professor-aluno, e que em geral colocam em causa a autoridade do professor; vandalismo contra a instituição escolar, que muitas vezes procura atingir tudo aquilo que ela significa.
A indisciplina é um dos temas que atualmente mais preocupam pais e professores, mas apesar disso ainda é um assunto pouco debatido. Para alguns professores, a indisciplina, é a falta de noções de regras e limites por parte do aluno. E essa falta de noção se deve á inúmeras causas, como por exemplo, á sua formação, á educação que recebe em casa, sua realidade, a diversidade de cultura existente.
Ainda existe uma certa indefinição sobre o que é ou não permitido, sobre o que deve ou não ser aceito numa sala-de-aula, o que é ser aluno ?disciplinado" e ?indisciplinado?. Não é porque o aluno sempre obedece nada questiona, nunca pergunta, não fala nada em sala-de-aula, é comportado e só fala quando o professor pergunta que ele é o disciplinado.
A indisciplina não é um tema inovador. Inovador é o ser humano em sua infinita complexidade e sensibilidade às mudanças. No seio de uma sociedade que atravessa uma era de globalização onde a insegurança geral é avassaladora, não é de surpreender que o jovem enfrente problemas de indisciplina.
A adolescência já é por si só um período de contestações. O jovem contesta tudo o que pode, inclusive a si mesmo. O problema não é a indisciplina ou o comportamento. O problema reside na escola e no profissional que não sabe lidar com a contradição do adolescente que incomoda os colegas e os professores com sua agressividade.
Tendo em vista a grande reprovação de alunos adolescentes e as dificuldades encontradas pelos professores durante suas atividades pedagógicas, torna-se necessário uma reflexão mais acentuada sobre a problemática da indisciplina escolar, questionando-se que atitudes a escola e o professor podem tomar diante dos mais diferentes aspectos do mau comportamento do aluno em sala de aula e na escola em geral?
A indisciplina escolar atravessa todo o processo educativo e vem-se constituindo como grande deficiência do processo pedagógico, comprometendo as aprendizagens dos alunos e afetando, de forma substantiva, a estabilidade emocional e o desempenho profissional dos docentes.
É por isso que se faz necessário procurar o real sentido do que quer dizer indisciplina no âmbito escolar, e não apenas simplesmente considerá-la como sua descrição no dicionário de não acatamento de uma ordem imposta ou não subordinação do aluno ao seu mestre.
Por outro lado o comportamento indisciplinado também não resulta de fatores isolados (educação familiar, falta autoridade do professor, violência, etc.), mas sim da multiplicidade destes durante o desenvolvimento do indivíduo. Porém também não deve ser encarado como alheio à família nem tampouco à escola, já que na nossa sociedade, elas são as principais agencias educativas.
Os professores por sua vez, serão aqueles que ao invés de lamentar-se pela falta de apoio familiar, ou pelos traços comportamentais do aluno, irão analisar as verdadeiras causas da indisciplina e se as regras por eles impostas são realmente coerentes. E nessa análise poderão muitas vezes perceber que o argumento desse aluno ?indisciplinado? pode ser realmente válido!
E finalmente há os que crêem que a indisciplina está relacionada à personalidade do indivíduo, faz parte dele, já nasce com ele, é algo inato, ou faz parte de traços inerentes ao período no qual este se encontra (infância, adolescência), e em ambos os casos, a responsabilidade é totalmente desse individuo, onde a escola não pode surtir nenhum tipo de mudança.
Os responsáveis pela organização escolar (diretores, coordenadores), reduzem o problema da falta de disciplina a simples fraqueza de autoridade do professor e sua falta de controle em sala-de-aula defendendo a idéia de que quando se tem pulso firme a tendência é o maior controle sobre os alunos.
Para os alunos esse ato de indisciplina tem uma causa justa, pois alegam que ainda há grande existência de autoritarismo, aulas monótonas e desestimulantes, tempo curto de recreio e má organização de horários, má qualidade de material e clareza dos professores e por aí vai.
Porém todas essas justificativas quanto à indisciplina são apenas superficiais, além de não possuírem um embasamento sólido, os fatores extra-escolares acabam ocupando o primeiro lugar para os educadores e servindo muitas vezes como desculpa para não haver uma mudança, uma reorganização que visa à melhora.

2.1 - Fatores Indisciplinares na escola

De acordo com a teoria de Içami TIBA (1996), a disciplina escolar é um conjunto de regras que devem ser obedecidas para êxito do aprendizado escolar. Portanto, ela é uma qualidade de relacionamento humano entre o corpo docente e os alunos em uma sala de aula e conseqüentemente, na escola.
O autor aponta que em qualquer relacionamento humano, leva-se em conta a personalidade, as características de cada um dos envolvidos: professor, aluno e ambiente. O aluno (e não só o professor) é uma peça importante para a disciplina escolar e o sucesso do aprendizado. TIBA (1996) observa ainda, que os melhores alunos são os que têm interesse em aprender, pois o apreço pelo conhecimento é um valor desde cedo muito bem considerado na educação familiar.
Em suma, da mesma maneira que a mãe protege um filho, crê que o professor também deve intervir para proteger o aluno mais despreparado. Cita que nem sempre o problema está solucionado só porque o aluno sofreu uma punição severa. Ocasionalmente, é conveniente encaminhar o aluno para que ele receba orientação. (TIBA, 1996)

Como causas da indisciplina na escola, são citadas por Tiba (1996, p.117):

1.CARACTERÍSTICAS PESSOAIS

? distúrbios psiquiátricos;
? distúrbios neurológicos;
? deficiência mental;
? distúrbios de personalidade;
? distúrbios neuróticos;
? etapas do desenvolvimento: confusão pubertária;
? onipotência pubertária;
? menarca/mutação;
? síndrome da quinta série;
? distúrbios de comportamento que incomodam pouco.

2. CARACTERÍSTICAS RELACIONAIS

? distúrbios entre os próprios colegas;
? distorções de auto-estima.

Outro aspecto importante que pode interferir no comportamento indisciplinado é o ambiente escolar, no qual o aluno está inserido. Salas pequenas e apertadas com pouca iluminação, onde os alunos não conseguem se acomodar, bagunça com objetos (papéis, carteiras, brinquedos, etc), gritos próximos a sala de aula, e calor intenso prejudicam a concentração e aprendizagem, provocando sem dúvidas a indisciplina. Para Tiba (1996, p.101) o fator ambiental que mais prejudica é o ?estado psicológico? do indivíduo, ou seja, escolas em crise, greves, brigas entre professores, aluno e professores, são aspectos que ?dificultam a aprendizagem?.

CAPÍTULO III

REPENSANDO NAS PRÁTICAS

Os estudiosos têm encarado a indisciplina como expressão de uma vontade interna do sujeito.
Para que a libertação seja possível, é necessário construir uma moral com acento na ética e não nos códigos impostos a todos, por igual, com a finalidade de normalizar uma população.
O ato indisciplinado deve ser considerado, então, matéria do exercício ético:

Se diariamente nós, professores, nos queixamos que as normas e regras de conduta presentes na sala de aula se fizeram opacas, quando não diluídas completamente, e também lamentamos que a relação professor-aluno e a hierarquia nela implicada ora se apresentam sob a forma de submissão inconteste levando ao conformismo e apatia, ora materializam-se em atos de negligência para com o material de estudo ou atos de violência radicais, é justamente por termos perdido de vista as dimensões ética e política que fundam o processo educacional. Esquecemo-nos de que o ato de pensar, embora seja um exercício solitário, nunca se realiza inteiramente sem um parceiro. (FRANÇA In AQUINO, 1996, p.146)

Em outras palavras, precisa-se dos outros para que o pensamento se aprofunde. Quando o aluno se comunica mesmo que tumultue a aula, não necessariamente é um comportamento totalmente negativo. É na sala de aula o lugar onde o aluno vai experimentar os valores e crenças de que é feita a cultura. É um campo de experimentação onde o aluno tem contato com suas infinitas possibilidades como ser humano.
Se o aluno perder o espaço público, perderá também o contato com os outros e um senso ético: "o ato indisciplinado é, enfim, uma força que precisa ser trabalhada a fim de explicar a que veio". (FRANÇA In AQUINO, 1991, p.147)
Todavia, a falta de orientação não permitiu que aflorasse e se desenvolvesse o "lado positivo" da indisciplina.
Em resultado, há muito a indisciplina deixou de ser um evento esporádico e particular no cotidiano das escolas. Acabou por se tornar, então, um grande obstáculo pedagógico nos dias atuais.
Dessa maneira, grande parte dos educadores tem procurado a maneira adequada de administrar o ato indisciplinado. A maioria não sabe se compreende ou reprime, ou até se encaminha ou ignora.
A escola deve assegurar ao aluno a condição de poder ser dirigente. Contudo, isso não pode ser alcançado espontaneamente e num clima de liberdade entendido de maneira abstrata e metafísica. A escola, assim, não pode ser um local de ensino fácil e atraente em todos os momentos, mas um local que, dentro do respeito ao aluno, impõe sacrifícios, renúncias e esforço.
De fato, o progresso do aluno, rumo aos conhecimentos elaborados historicamente pelo homem, não pode acontecer a não ser através de muita concentração e dedicação.
A disciplina significa a capacidade de comandar a si mesmo, de se impor aos caprichos individuais, às veleidades desordenadas. Significa, enfim, uma regra de vida. Além disso, significa a consciência da necessidade livremente aceita, na medida em que é reconhecida como necessária para que um organismo social qualquer atinja o fim proposto. A disciplina não é o oposto da liberdade e tampouco algo que pode ser fixado de fora, do exterior. O problema é que para que um aluno se aproprie dos conteúdos escolares, ele precisa conquistá-los:
Essa conquista, ao contrário, é resultado de uma série complexa de esforços da vontade e de atos de autocontrole, sem os quais o aluno não melhora, não enriquece e tampouco supera os saberes colhidos no meio ambiente. Com efeito, o aluno não nasce com tendências naturais para se apropriar dos conhecimentos elaborados.
Não sendo agradável para o aluno a aquisição do conhecimento, tal tarefa torna-se para ele um peso.
Neste aspecto, a tarefa fundamental da escola é a de promover o desenvolvimento efetivo do aluno, formando-o o mais competentemente possível. Este processo de formação não acontece através da brincadeira, ou do ensino facilitado:

? disciplina parece ser vista como obediência cega a um conjunto de regras principalmente um pré-requisito para o bom aproveitamento escolar. Nessa visão, as regras são fundamentais ao desejado ordenamento, ajustamento, controle e coerção de cada aluno e da classe como um todo. Dentro desta perspectiva qualquer manifestação de inquietação,
questionamento, discordância, conversa será percebido como indisciplina, já que se espera obter a tranqüilidade, o silêncio, a docilidade, a passividade das crianças de tal forma que não haja nada nelas nem fora delas que as possa distrair dos exercícios passados pelo professor, nem fazer sombra à sua palavra.? (Wallon, 1975, p.379).

Especificamente, tal processo de adaptação envolve disciplina minuciosamente planejada.
O pressuposto teórico enfatiza a importância da disciplina e ao mesmo tempo indica a necessidade de evitar a coação e o arbítrio. Em suas palavras colocar acento na disciplina, na sociabilidade, e pretender, todavia, sinceridade, espontaneidade, originalidade, personalidade, eis o que é verdadeiramente difícil e árduo.
Isso só pode ser alcançado se a disciplina for fixada pelos próprios membros da coletividade que devem pôr-se de acordo entre si, discutindo com a máxima tolerância e respeito.
Portanto, a disciplina não pode ser entendida como imposição externa e contrária aos anseios da coletividade, mas sim como um meio necessário para que esta crie e encaminhe uma assimilação responsável e lúcida das diretrizes a realizar.

3.1 - Um olhar para as práticas pedagógicas

Sabe-se que a escola é o único lugar que garante efetivamente a relação de cidadania; nela o indivíduo pode estabelecer pactos, contratos, reações sociais, não se limitando à sua singularidade de ensinar a ler, escrever, fazer contas, raciocinar.
No fato da indisciplina vir-se repetindo constantemente, pode-se pensar que o adulto/professor não tenha percebido que em seu papel está previsto ser desafiado pelo jovem. É preciso saber que essa oposição do aluno pode ter um papel constitutivo e que, para se diferenciarem, os jovens precisam disso como um jogo necessário.
Na prática educativa diária, podemos perceber claramente que os alunos que hoje freqüentam os bancos escolares apontam, embora de forma inconsciente, que não aceitam o ensino da forma que está.
As salas de aula apresentam-se isoladas umas das outras e limitadas em recursos; mesas e cadeiras dispostas em filas; o professor desempenhando a função de dono e entregador principal do conhecimento; a apresentação de informação limitada ao uso de livros-texto e do quadro-negro e quase sempre de forma linear e seqüencial.
Neste cenário, o papel ativo é exercido pelo professor; o aluno é um elemento passivo, um mero receptor dos pacotes de informação, o que contradiz o regido nos Parâmetros Curriculares Nacionais, onde o professor é encontrado como um professor aprendiz, ou seja, um professor reflexivo que não pode simplesmente jogar conteúdos para os alunos e sim, analisá-los, discuti-los e concluí-los juntamente com eles.
Os conteúdos e metodologias mal aplicados amiúde ocasionam a ausência da disciplina. A aprendizagem significa mudança na forma de entender o mundo, resultante da experiência vivenciada, visto que ela pressupõe uma organização lógica da realidade.
Partindo desta premissa, os conteúdos a serem ministrados devem partir do pressuposto que o aluno já traz consigo uma determinada compreensão de mundo. À medida que o professor desconsidera este fato o aluno não agüenta ser passivo o tempo todo num processo que deveria lhe proporcionar atividades. Em conseqüência, acaba por ser classificado como indisciplinado, como quem veio para perturbar a paz e a ordem.
Sabendo que o critério de aprovação recai única e exclusivamente na aquisição do conhecimento estabelecido e que, por muitas vezes, não necessita do professor para adquiri-lo, fazem da sala de aula momentos de encontro com colegas, momentos de lazer. Sem o entendimento do ato de educar e de avaliar como sendo um processo, o aluno tende a se indisciplinar e por sua vez, o professor tende a posturas coercitivas.
A escolha dos conteúdos deve conter uma preocupação para com a aquisição de conhecimentos, para com a formação de habilidades e hábitos por parte do aluno, bem como a formação de convicções, através de conhecimento e experiência humanos.
Deve-se também aliar a cultura do dia a dia à cultura elaborada, da mesma forma que deve-se retratar a realidade do aluno, ou do contrário, haverá uma ruptura entre a vida do aluno fora e dentro da escola.
O professor que não cria situações que despertem o interesse do aluno pela aprendizagem é um mero repassador de conhecimentos dos outros. Um ensino pautado apenas pela exposição de conteúdos por parte do professor, sem diálogo, sem troca de experiências, mecânico e repetitivo, está fadado ao fracasso, gerando a não disciplina. A participação do aluno é imprescindível para despertar-lhe o interesse pela aprendizagem. Esta participação deve ser de modo organizado e disciplinado, sempre orientada pelo professor. Uma atitude pedante por parte do professor, afasta o interesse inicial do aluno.

3.2 - Os desafios dos professores

Corresponde à escola, favorecer e estimular essa progressiva maturação interior dos adolescentes, sem prejudicar a evolução sadia e normal de sua personalidade. Algumas normas práticas de conduta pessoal do professor em classe que dão resultados positivos:

- Cultivar com os alunos uma atitude fundamental de interesse, entendimento e simpatia. Ser, acima de tudo, humano e razoável para com eles; não se deve permitir, no entanto, os excessos de familiaridade nem se deve ser demasiado condescendente; é necessário ser firme e insistente nas exigências, mas explicando o porquê das mesmas.
- Evitar durante as aulas falar de si mesmo, da vida, méritos ou problemas e negócios particulares; não desperdiçar o tempo de classe em confidências pessoais ou em assuntos alheios à matéria.
- Não ser autoritário, arrogante nem afobado; não manifestar desprezo para os alunos; ser paternalmente firme e empregar a necessária energia de modo sereno, prudente e digno. Impor respeito aos alunos sem humilhá-los nem intimidá-los.
- Cuidar a própria autoridade e não a expor ao desgaste, abusando dela em incidências triviais; em tais casos, é melhor recorrer ao manejo preventivo ou indireto.
- Terminar, no entanto, de forma cortante e sem titubeios, qualquer movimento mais sério de indisciplina ou de desordem coletiva; não deixar navegar o barco até que a tempestade estoure.
- Não fazer promessas nem ameaças que depois não se poderão ou não se quererão cumprir; quando se faça uma advertência, não devem tolerar-se reincidências. As sanções, se necessárias, devem ser aplicadas sem tardança e não dias ou semanas depois; mas se deve ser moderado e impessoal em sua aplicação.
- Tratar as infrações mais graves de modo objetivo e impessoal, sem mostrar-se ofendido ou enojado pessoalmente. A indisciplina deve ser reprovada como conduta inconveniente e anti-social que fala dos indivíduos que a praticam.
- Não a interpretar como afronta ou desacato à autoridade pessoal do professor. Terminado o incidente, não demonstrar ressentimento ou intenções de perseguição ou vingança; tratar aos alunos com naturalidade, como se nada tivesse sucedido antes.

[...] CAPÍTULO II A Indisciplina na adolescência O conceito de indisciplina é susceptível de múltiplas interpretações. Um aluno ou professor indisciplinado é em princípio alguém que possui um comportamento desviante em relação a uma norma explicita ou implícita sancionada em termos escolares e sociais. Estes desvios são, todavia denominados de forma diferente conforme se trate de alunos ou de professores. Os primeiros são apelidados de indisciplinados, os segundos de incompetentes. Com efeito, para fins deste estudo serão abordados os comportamentos desviantes dos alunos. [...]


[...] CONCLUSÃO A Indisciplina na adolescência, o tema que foi abordado nessa monografia, veio mostrar que quando traçado a panorâmica da disciplina, a questão de educar com decisão e responsabilidade, destacando questões da escola e da família, algumas considerações sobre transferência se fazem necessárias, pois cada um tem que fazer a sua parte. Essa temática convida à reflexão, principalmente por parte dos pais e encarregados de educação, agentes que, levados pela correria desta sociedade atual, se furtam ao acompanhamento escolar dos seus educandos, numa atitude que, inevitavelmente, não deixa de ter reflexos aos mais diversos níveis, presentes e futuros. [...]


[...] Em resultado, há muito a indisciplina deixou de ser um evento esporádico e particular no cotidiano das escolas. Acabou por se tornar, então, um grande obstáculo pedagógico nos dias atuais. Dessa maneira, grande parte dos educadores tem procurado a maneira adequada de administrar o ato indisciplinado. A maioria não sabe se compreende ou reprime, ou até se encaminha ou ignora. A escola deve assegurar ao aluno a condição de poder ser dirigente. Contudo, isso não pode ser alcançado espontaneamente e num clima de liberdade entendido de maneira abstrata e metafísica. [...]

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