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Cultura e ensino - o lugar do folclore na educação

Informações sobre o autor

 
Nível
Para todos
Estudo seguido
educação
Faculdade
filosofia

Informações do trabalho

Charles P.
Data de Publicação
Idioma
português
Formato
Word
Tipo
dissertação
Número de páginas
27 páginas
Nível
Para todos
Consultado
1 vez(es)
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  1. O lugar do folclore na educação

INTRODUÇÃO

A crise de identidade (individual e coletiva) que se disseminou entre os indivíduos e as sociedades reflete a fragmentação da cultura mundial. Este fenômeno operou a diluição dos traços culturais específicos que vinculavam a individualidade dos sujeitos a seu grupo. Em virtude disso, dando prosseguimento às forças sociais impostas pela globalização, verifica-se um movimento global de resgate à cultura local e individual. Com efeito, faz-se mister um movimento ainda mais profundo: o resgate por parte dos indivíduos de sua individualidade, identidade, autenticidade, personalidade.
Esta jornada da humanidade em busca de si, sub-repticiamente, habita o cotidiano das pessoas, no modo de se comportar, de posicionar-se perante os fatos do mundo, de falar, entre outros. Para a realização desta tarefa hercúlea, várias estratégias foram desenvolvidas e aperfeiçoadas ao longo dos tempos. No que diz respeito ao âmbito educacional, via formal de acesso à cultura humana e principal instituição formadora de identidades, passou-se a dar maior ênfase ao tratamento dos conhecimentos que priorizem os conteúdos trazidos pelos indivíduos participantes do processo de aprendizagem. Dito de outra maneira, a consideração dos conhecimentos prévios dos indivíduos (educandos e educadores) passou a ser apontado por muitas abordagens como o ponto de partida para o ensino.
Ora, considerar as especificidades de cada indivíduo neste processo significa, em última instância, reconhecer os traços culturais assimilados por esses indivíduos. Significa, outrossim, considerar as relações sociais, históricas e culturais que envolvem os indivíduos no ato de aprender. Neste ínterim, as manifestações folclóricas assumem um papel importante na educação, pois possibilitam a aprendizagem a partir dos conhecimentos inerentes aos indivíduos participantes do processo de aprendizagem e do caráter multicultural da sociedade em que os mesmos encontram-se inseridos.
Com efeito, uma educação que compreenda a diversidade cultural, o conhecimento e a valorização das características étnicas e culturais dos diferentes grupos sociais que convivem no território nacional, e se mostre sensível às desigualdades sócio-econômicas e adote uma postura crítica quanto às relações sociais discriminatórias e excludentes que permeiam a sociedade brasileira, concede ao aluno a possibilidade de conhecer o Brasil como um país complexo, multifacetado e algumas vezes paradoxal. Por conseguinte, vale dizer, nossa análise propõe uma concepção de educação que conceba a sociedade brasileira a partir da sua diversidade cultural e étnica, de tal modo que a consideração da diversidade não implique na negação das características comuns, especialmente da parte dos educandos.
Partindo do ponto de vista de que o educando é um ser humano inserido numa realidade histórica e social, e que o conhecimento escolar deve corresponder às necessidades que esse possui de se desenvolver, é necessário que uma nova proposta educacional seja inserida no atual sistema de ensino. Cremos que uma alternativa viável seja a construção de uma proposta pedagógica que tome o folclore brasileiro como ponto de partida, uma vez que a educação deve abranger os processos formativos que se desenvolvem na vida familiar, na convivência humana, no trabalho, nas instituições de ensino e pesquisa, nos movimentos sociais e de organização da sociedade civil e nas manifestações culturais. Desse modo, conseguiremos despertar no educando o prazer em aprender, de construir seu conhecimento de forma divertida, prazerosa, envolvente e significativa, mergulhando na imensa variedade de textos que fazem parte do folclore brasileiro.
Como se pode depreender do que foi dito acima, uma nova postura educacional faz-se necessária para desenvolver um trabalho globalizado ? sobretudo da parte dos educadores e da escola, pois só assim ambos atuarão como agentes capazes de permitir ao educando manifestar-se livremente, expor suas idéias, seus interesses, suas preocupações, podendo dessa forma aprender, ensinar, pesquisar, e divulgar a cultura, a arte e o saber. Dito de outro modo, ao se engajar nesta jornada a escola estará cumprindo com uma de suas funções, a saber: de educadora.
Com efeito, fazem parte da diversidade cultural um significativo número de atividades que envolvem o folclore, podendo estas ser inseridas no cotidiano escolar como fonte de conhecimento indiscutivelmente fundamental para o enriquecimento e desenvolvimento do educando. Note-se, contudo, que nossa proposta não visa apenas a defesa da criação de uma disciplina específica de Folclore nas escolas, mas, antes, que se utilize o folclore como ferramenta didática.
Ora, o objetivo do presente estudo consiste precisamente numa análise acerca do folclore e seu papel na educação. Mais especificamente, procuraremos identificar as vantagens educacionais advindas da incorporação de práticas pedagógicas que partam do folclore popular para a construção do conhecimento.
Para a consecução deste propósito, estruturamos nosso estudo nos seguintes momentos. Primeiramente, na seção inaugural, procuramos definir o objeto (tema) e os objetivos (geral e específicos) do nosso estudo, bem como seu problema e suas questões norteadoras.
A seguir, na segunda seção, nos ocupamos com um tratamento caracteristicamente semântico e antropológico em torno da noção de cultura. Neste ínterim, buscamos definir o conceito de cultura em contraste à noção de natureza, o que nos autorizou tratar das noções ampla e estrita de cultura. A seguir, consideramos a diversidade e a dinâmica cultural.
Posteriormente, na terceira seção, operamos um recorte teórico tendo em vista estreitar ainda mais os contornos de nossa investigação. Por isso, abordamos a cultura brasileira e sua relação com o folclore brasileiro. Tendo isto em vista, examinamos a gênese da cultura brasileira que, como era de se esperar, encontra-se atrelada à formação da sociedade colonial. A seguir, objetivamos uma caracterização da noção de folclore, prestando maior destaque à sua gênese popular. Por fim, procedemos a uma análise um tanto sucinta dos vínculos existentes entre as noções de cultura popular e folclore.
Ulteriormente, na última seção, analisamos o papel do folclore na educação. Ou ainda, procuramos responder a seguinte indagação: qual o lugar do folclore na educação? Tendo sempre esta interpelação em vista, procuramos evidenciar as vantagens implícitas numa prática pedagógica que tome como ponto de partida a realidade cultural dos indivíduos a que ela se destina.
Ao empreendermos nossa jornada investigativa, balizamos nossa metodologia em pesquisas bibliográficas. Desse modo, buscamos definir os conceitos centrais desta pesquisa, prestando maior destaque às noções de cultura e folclore. Contudo, não raro foram os momentos em que sentimos a necessidade de nos voltarmos para a experiência em busca de evidências para nossas hipóteses de trabalho, ainda que não tenhamos implementado um trabalho de campo específico.
Pois bem, ao proceder à leitura deste trabalho, o leitor logo perceberá que ele apresenta alcances e limites; e talvez estes superem em quantidade àqueles. Não como justificativa, mas, sim, como uma advertência ao leitor, queremos aqui pôr em evidência as razões às quais atribuímos as lacunas desta pesquisa. Em primeiro lugar, tais se devem à escassez de tempo que acompanhou sua confecção. De fato, as informações a que tivemos acesso para a elaboração do texto que segue, muitas há que não puderam ser devidamente apreciadas, e, não raro, não foram aprofundadas substancialmente as questões que elas suscitam.
Em segundo lugar, a própria vastidão e imensa complexidade dos temas enfocados contribuem para que, num estudo não exaustivo como o que se tem em mãos, não haja aquela precisão que é de se desejar de uma exposição de caráter sistemático e objetivo.
Entretanto, pondo de parte os limites, havemos de reconhecer que a pesquisa realizada conserva todo o seu valor por abordar o tema de modo sistemático, de forma que, consideradas as limitações supracitadas, não se pode negar que o essencial do tema está aqui exposto de forma clara, exata e objetiva.


1 MAPEANDO OS CAMINHOS

1.1 TEMA

Cultura e Ensino

1.2 DELIMITAÇÃO DO TEMA

A relação entre cultura e educação mediante o emprego de práticas pedagógicas que valorizam o folclore brasileiro.

1.3 PROBLEMA DE PESQUISA

Concebendo a sociedade brasileira como multicultural, como acomodar e trabalhar esta diversidade cultural no âmbito escolar a partir das manifestações folclóricas?

1.4 OBJETIVO DA PESQUISA

Analisar o papel do folclore na educação mediante uma consideração das relações existentes entre as noções de cultura e folclore.

1.5 OBJETIVOS ESPECÍFICOS

? Definir cultura e folclore;
? Tratar da origem da diversidade cultural brasileira, reconhecendo-a e valorizando-a;
? Abordar o folclore enquanto ferramenta didática;
? Estabelecer conexões entre o que se aprende na escola e a vida da população brasileira;
? Mudar mentalidades, superar o preconceito e combater ações discriminatórias que contrariam a pluralidade cultural.

1.6 JUSTIFICATIVA

A cultura brasileira resulta da fusão de distintos e diversos elementos culturais. Neste ínterim, a presente pesquisa aponta como foco central a valorização da diversidade cultural que compõe a sociedade brasileira, sem negar as características comuns aos elementos que a integram.
Com efeito, para a leitura da diversidade cultural, faz-se necessário as muitas linguagens que se apresentam como o fator de identidade de grupos e indivíduos. Conhecer e respeitar diferentes linguagens são decisivos para que possa desenvolver atitudes de dialogo e respeito para com culturas distintas daquela que a criança conhece, do grupo social do qual participa. Ora, cada um lê e relê com os olhos que tem. Porque compreende e interpreta a partir do mundo que habita.
O estudo do folclore brasileiro envolve uma diversidade de manifestações da cultura popular. As cantigas de roda, as parlendas, danças, teatros, provérbios, acalanto (cantigas de ninar), as poesias, entre outros. São recursos riquíssimos que podem ser explorados de forma criativa no ambiente escolar, permitindo que a criança se contagie com a beleza destas manifestações culturais, podendo se transportar ao mundo das fantasias de forma que o processo de ensino e aprendizagem se transforme em algo prazeroso e altamente produtivo, modificando, assim, sua condição de passividade e de mero expectador. Conforme pontuou Carvalho (1982), ?[] pela fantasia somos capazes de combinar imagens e difundi-las. De aumentá-las, modificá-las e enriquece-las.?
Ora, nossa proposta de trabalho apresenta novas possibilidades para o professor reverter a situação de desencanto do educando em relação ao processo de ensino aprendizagem, permitindo que cada educando perceba-se construtor da história. Dito de outro modo, a inclusão do folclore como instrumento didático possibilita ao educando perceber a sintonia que há entre os conteúdos formais e os elementos que integram sua realidade cultural e folclórica. Ou ainda, permite que se valorize os conteúdos prévios dos educandos, tornando a aprendizagem significativa.
Por conseguinte, as indicações aqui apresentadas farão com que as aulas fiquem cada vez mais atraentes e possam contribuir para a construção do conhecimento e a formação do indivíduo como cidadão. Isto é razão suficiente para justificar um estudo como este.

2 REVISÃO DA BIBLIOGRAFIA

Movido pela necessidade de relacionar-se e comunicar-se, o homem produz, entre outras coisas, a linguagem, superando os limites de sua condição natural. Desse modo, desenvolve as capacidades de generalização e abstração do mundo exterior, ou seja, a possibilidade de operar na ausência dos objetos.
Segundo Ruiz (1985, p. 51),
O folclore é comunicação. Podemos definir, de um modo geral comunicação como um conjunto de sinais produzidos e interpretados pelos homens, tais como a fala, o gesto, a atitude, o grito, a dança, e outras manifestações que expressam o pensamento, a alma humana. Todos os homens, mesmo inconscientemente, possuem uma alma coletiva, na qual misturam-se superstições, crendices, formas elementares de Arte e Ciência. O folclore constitui-se de crenças, tradições, superstições, histórias, provérbios, literatura popular, tudo recolhido pela tradição oral.

Por conseguinte, faz-se mister trabalhar com os textos folclóricos, pois sendo uma manifestação artística popular, possibilita o gosto pela leitura e escrita através das brincadeiras, dos jogos, das adivinhações que provocam e evocam emoções e transmitem conhecimento, aflora a imaginação e o prazer da leitura, oportunizando também que a criança aprenda a olhar a realidade de forma a entender a historicidade das experiências que vive, do presente e do passado.
A relação com o passado é importante porque este é, sem dúvida, um componente imprescindível de nossos esquemas de conhecimento e interpretação da realidade presente, como os conceitos que temos, nossas atitudes privadas e coletivas, nossos valores. Assim é possível que o aluno se situe na realidade atual percebendo-se construtor da história, constatando que o homem que vive em sociedade cria, desde os objetos de uso pessoal até a arte, as idéias, etc.
Segundo Roberto Catelli Junior (1999),
Na linguagem cotidiana, costuma-se dizer que algo que não pode ser verdade tem caráter folclórico. Diferentemente disso, o conceito de folclore aqui utilizado tem como base o conjunto das tradições populares que se constroem e se renovam ao logo da história, constituindo um laço formador da identidade de muitas comunidades. O folclore envolve crenças populares, provérbios, contos, cantigas, danças e festas e, no caso do Brasil, manifestações das várias culturas: africana, européia, católica, mulçumana, indígena; que integram nossa formação histórica.

Os textos folclóricos quando utilizados como recursos pedagógicos tem papel educativo, e servem como meios para adquirir certas habilidades cognitivas, como capacidade de análise, inferência, interpretação crítica, síntese, juízo de valor no manejo de fontes informativas, compreendendo a pluralidade e diversidade das experiências coletivas construídas ao longo do tempo e que se mantêm vivas através das gerações humanas.
Através da exploração dos textos folclóricos o aluno pode observar formas diferentes de como as pessoas, em cada época, olham e expressam suas visões, seus costumes, suas crenças. É possível levá-los a contagiarem-se com as maravilhas das gerações anteriores, podendo se manifestar e se expressar através das mais variadas atividades que envolvem o folclore brasileiro.


3 CULTURA: UM ENFOQUE SEMÂNTICO E ANTROPLÓGICO

O que é cultura? O que é folclore? Existe uma relação entre estas noções? O que é cultura popular? É a cultura estanque? Qual a relação existente entre cultura e natureza? Podemos falar de uma cultura universal? O que podemos dizer da cultura brasileira? Com efeito, estas e outras indagações têm despertado a curiosidade e perspicácia de leigos e estudiosos desde há muito tempo. Tal interesse pela cultura, pode-se dizer, deve-se ao fato de ser ela uma criação genuinamente humana. Ora, não é raro ouvirmos as pessoas se referindo à ?cultura humana?.
Pois bem, neste capítulo iremos direcionar os holofotes de nossa atenção para algumas destas interpelações em torno da noção de cultura.

3.1 CULTURA E NATUREZA

O termo cultura possui dois significados básicos. Na primeira acepção, o termo cultura se refere à formação do homem, seu melhoramento e refinamento. Em outro de seus usos, indica o produto dessa formação, a saber, tudo quilo que foi construído pela civilização humana. Para Abbagnano (2000), a passagem do primeiro pára o segundo significado se deu no século XVIII, processo protagonizado pela filosofia iluminista.
A investigação filosófica moderna em torno do conceito de cultura inicia com o estabelecimento de uma relação íntima entre as noções de ?cultura? e ?natureza?. Suposta relação se materializa nas acepções atribuídas a ambos os termos: natureza, dizem os filósofos eruditos, é tudo o que existe no universo sem que tenha sofrido intervenção humana. Inversamente, o ser humano e tudo o que ele realiza faz parte do mundo cultural. (ARANHA & MARTINS, 2005).
Como se pode depreender do que foi dito no parágrafo acima, há, assim, uma espécie de dicotomia ou oposição entre o mundo natural e o mundo cultural. Esta distinção tomou contornos mais visíveis a partir do século XVIII, como quando da publicação da obra do filósofo alemão Immanuel Kant. A partir de Kant, convencionou-se uma diferença essencial entre a natureza e o humano: ?[] o reino da natureza é regido por leis necessárias de causa e efeito, é determinado, ao passo que o reino humano, ou da cultura, é dotado de liberdade e razão.? (ARANHA & MARTINS, 2005, p. 20). Dito de outro modo, o ser humano é dotado de livre arbítrio, enquanto que os entes da natureza invariavelmente encontram-se determinados por leis naturais, o que equivale a dizer que não possuem ?vontade?. Isto ficou bastante evidenciado na célebre afirmação de Kant: ?Num ser racional, cultura é a capacidade de escolher seus fins em geral (e, portanto, de ser livre). Por isso, só a Cultura pode ser o fim último que a natureza tem condições de apresentar ao gênero humano.? (KANT apud ABBAGNANO, 2000, p. 225).
Para Marilena Chauí, a separação entre natureza e cultura procedeu simultaneamente ao surgimento da lei humana, contrariamente à lei natural. Em seu artigo, intitulado, ?Natureza, Cultura, Patrimônio Ambiental?, esta autora afirma categoricamente:
A Lei humana é um imperativo social que organiza toda a vida dos indivíduos e da comunidade, determinando o modo como são criados os costumes, como são transmitidos de geração em geração, como fundam as instituições sociais (religião, família, formas do trabalho, guerra e paz, distribuição das tarefas, formas de poder, etc.). A lei não é uma simples proibição para certas coisas e obrigações para outras, mas é a afirmação de que os humanos são capazes de criar uma ordem de existência que não é simplesmente natural (física e biológica). Esta ordem é a ordem simbólica. (CHAUÍ, 2005, p. 52).

Contudo, uma questão importante emerge neste instante: realmente, tudo o que o ser humano faz é cultura? Os estudiosos concordam que a resposta a esta indagação depende do conceito de cultura que considerarmos, quais sejam, o amplo (ou antropológico) e o restrito (relativo às artes). (JAPIASSÚ & MARCONDES, 1996, p. 61). Comecemos, de acordo com o hábito, com o primeiro.

3.1.1 O Conceito Amplo de Cultura

Diferentemente da maioria das espécies animais , a espécie humana não encontra seu repertório de comportamentos determinado geneticamente. Ao contrário, dispomos da capacidade ?[] de pensar a realidade e de construir significados para a natureza, para o tempo e o espaço, bem como para os outros seres humanos e todas as suas obras.? (ARANHA & MARTINS, 2005, p. 20). Ora, a esta construção simbólica damos o nome de cultura.
Por conseguinte, podemos afirmar com boa margem de segurança que a cultura encerra o modo como os indivíduos e as comunidades que integram respondem às suas necessidades e anseios simbólicos. Efetivamente, isto significa que a cultura engloba a linguagem humana, idéias, crenças, costumes, instituições ferramentas, arte, religião, ciência, entre tantas outras coisas. (ABBAGNANO, 2000). Tampouco se podem deixar de fora do âmbito de abrangência da cultura as necessidades mais básicas da espécie, como a reprodução e a alimentação, uma vez que tais comportamentos seguem regras, costumes e usos de uma cultura particular. Ademais, a influência da cultura local pode ser verificada ainda na linguagem, materializando-se no vocabulário específico de cada região. (SANTOS, 2000).
Pois bem, entendida deste modo, a cultura apresenta como uma de suas características mais marcantes permitir a continuidade das construções da sociedade humana, servindo de elemento agrupador entre os indivíduos que compartilham comportamentos, isto é, regras, costumes, valores.
Arrolando à indagação levantada acima ? a saber: tudo o que o gênero humano faz é cultura? ?, podemos, agora, respondê-la afirmativamente. Aliás, podemos ir ainda mais longe e mesmo afirmar que todos os indivíduos são cultos, já que todos nós dominamos a cultura do grupo ao qual pertencemos, ?[] seja ele urbano ou rural, indígena ou de outra etnia, de uma ou outra crença religiosa ou de qualquer outro tipo.? (ARANHA & MARTINS, 2005, p. 21). Ora, isto quer dizer, entre outras coisas, que não há como se estabelecer uma hierarquia entre as culturas, já que cada uma delas visa atender às necessidades ou anseios, conforme dissemos acima, dos indivíduos que integram o grupo.

3.1.2 O Conceito Estrito de Cultura

Conforme elucidamos acima, o termo cultura não é empregado apenas em sentido amplo, mas também em sentido restrito. De fato, ao longo dos tempos, o termo cultura evoluiu na direção de um sentido muito específico, para designar um corte, por assim dizer, dentro do universo das construções humanas, para referir-se unicamente às práticas artísticas. (ARANHA & MARTINS, 2005).
Neste ínterim, o termo cultura vincula-se à pintura, à dança, cinema, literatura, música, teatro, entre outras formas de manifestação artística. A peculiaridade que acompanha esta definição de cultura está ligada à idéia segundo a qual, para além do caráter simbólico implicado em toda manifestação cultural, as produções artísticas possuem um valor em si mesmas. Dito de outra maneira, elas existem independentemente das relações utilitárias e funcionais que acompanham outros elementos da cultura humana, tais como a ciência e a linguagem. Trocando em miúdos, nesta acepção do termo cultura, suas realizações são completamente desprovidas de utilidade para a vida prática. Enfim,
Uma obra de arte contemporânea, por exemplo, extrapola a possível função de ?decorar? a casa, a rua ou uma instituição. Ela é feita para aparecer, para figurar entre as coisas do mundo, chamando a atenção do espectador para o modo como ocupa o espaço, para sua forma, para os significados internos que sobreviverão a esta geração. Ela comove, revolta, intriga, faz pensar sobre os valores do mundo contemporâneo. (ARANHA & MARTINS, 2005, p. 22).

Pois bem, arrolando novamente à questão posta anteriormente, temos agora que, considerando a concepção estrita de cultura colocada acima, nem todas as realizações humanas podem ser concebidas como cultura. Ora, isto acontece porque a arte é acompanhada de um conhecimento muito específico acerca do mundo. (JAPIASSÚ & MARCONDES, 1996).
Ademais, haja vista que a arte envolve um conhecimento específico do mundo, podemos dizer ainda que nem todos os indivíduos possuem cultura ? pelo menos, não a cultura erudita. Ou seja, são ditas cultas as pessoas que dispõem de conhecimento acerca dos códigos das manifestações artísticas que lhe permitem apreender os valores e significados que lhes são implícitos.

[...] Pois bem, neste capítulo iremos direcionar os holofotes de nossa atenção para algumas destas interpelações em torno da noção de cultura CULTURA E NATUREZA O termo cultura possui dois significados básicos.[1] Na primeira acepção, o termo cultura se refere à formação do homem, seu melhoramento e refinamento. Em outro de seus usos, indica o produto dessa formação, a saber, tudo quilo que foi construído pela civilização humana. Para Abbagnano (2000), a passagem do primeiro pára o segundo significado se deu no século XVIII, processo protagonizado pela filosofia iluminista. [...]


[...] Por isso, abordaremos a cultura brasileira e sua relação com o folclore brasileiro. Tendo isto em vista, examinaremos a gênese da cultura brasileira que, como era de se esperar, encontra-se atrelada à formação da sociedade colonial. A seguir, objetivaremos uma caracterização da noção de folclore, prestando maior destaque à sua gênese popular. Por fim, procederemos a uma análise um tanto sucinta dos vínculos existentes entre as noções de cultura popular e folclore, o que nos proverá com as ferramentas teóricas necessárias à introdução da temática que será desenvolvida no último momento desta investigação, a saber, as intersecções entre cultura, folclore e educação A GÊNESE DA CULTURA BRASILEIRA A gênese da cultura brasileira possui laços estreitos com a formação da sociedade colonial. [...]


[...] Este é, pois, o lugar do folclore na educação: tornar a aprendizagem significativa. CONSIDERAÇÕES FINAIS O Brasil é um país com uma vasta extensão territorial. Esta vastidão contribui para que os indivíduos apresentem um repertório bastante diferenciado de comportamentos, de manifestações religiosas, de comunicar- se, de se expressar, de vestir-se, entre outros. Desse modo, quando pensamos nos elementos culturais encontrados em nosso país, não podemos deixar nos escapar a idéia de que não há uma única cultura em seus domínios, mas que há múltiplas culturas que o formam. [...]

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