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Ética planetária e complexidade num olhar sobre o documentário: “Muito além do cidadão Kane”

Informações sobre o autor

 
Nível
Para todos
Estudo seguido
sociologia
Faculdade
UECE

Informações do trabalho

Sydneia De Oliveira B.
Data de Publicação
Idioma
português
Formato
Word
Tipo
fichamento
Número de páginas
8 páginas
Nível
Para todos
Consultado
8 vez(es)
Validado por
Comitê Facilitaja
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  1. Muito além do cidadão Kane

Antes de adentrar na análise etnográfica (ou ao menos tentar fazê-la), devo deixar claro que se trata de um terceiro ?olhar?, afinal o documentário já é um ?olhar sobre o olhar? da Rede Globo, sobretudo levando em conta que toda descrição, de acordo com Clifford Geertz, já é em si uma interpretação que se volta para uma determinada realidade. Também é uma interpretação baseada no trabalho do antropólogo, preconizado por Cardoso de Oliveira (2000), onde as ferramentas indispensáveis para um pesquisador são, antes de tudo, usar o olhar e ouvir para depois escrever e é esse o objetivo, então, mãos à obra!
O documentário ?Muito Além do Cidadão Kane?, foi produzido pela rede britânica de rádio e tv BBC, em 1993 e aborda a trajetória da Rede Globo, marcada por favoritismos políticos, jogos de poder e financiamentos estrangeiros, tudo para atingir grandes audiências e com isso se transformar na maior rede televisiva do Brasil.
Ressaltando que no Brasil, até a década de 1950, com o país entrando em processo de modernização com o plano de crescimento econômico (?50 anos em 5?) no governo de Juscelino Kubitschek, o meio de comunicação mais utilizado era o rádio. Diariamente, as pessoas se reuniam em praças públicas ou em suas casas para ouvir programas musicais, noticiários, rádio-novelas, entre outras atrações. Ao mesmo tempo, nessa década, surgiram as primeiras emissoras de televisão, fruto de concessões presidenciais para correligionários ou simpatizantes políticos. Mas inicialmente, devido ao hábito da maioria dos brasileiros de ouvir rádio e pelo seu baixo poder aquisitivo, a televisão não obteve a adesão popular.
Portanto, para ganhar audiência, foi necessário transportar as atrações mais famosas do rádio para a televisão, além disso, o governo distribuiu alguns televisores em praças e em estádios e facilitou o financiamento para a compra de aparelhos de tv. E, segundo o citado documentário, todas essas medidas a favor da popularização da televisão, foram resultado de troca de favores entre governo e seus aliados com a intenção de garantir a ?integração? das informações e a segurança nacional .
Dentro da contraposição de imagens sob a perspectiva do ?luxo e do lixo?, mostrando propagandas luxuosas versus imagens da miséria do país, o documentário se desenvolve, contando que a Tv Globo, foi fundada por Roberto Marinho, jornalista e empresário do Grupo Globo, em 26 de abril de 1965, num cenário de ditadura militar e de aceleração econômico-industrial, ao mesmo tempo em que 60% da população se encontrava em situação de extrema pobreza. Além do mais, a ditadura instaurou a censura dos meios de comunicação, o que foi essencial para a manutenção da ?ordem? interna no país. Programas, reportagens ou propagandas que desrespeitassem ou criticassem o governo eram tiradas de circulação e seus idealizadores punidos, pois na tv não havia espaço para torturas nem descontentamentos e a ordem era: Carnaval e Futebol para todos!
A Tv Globo também teve ainda nesse período, alguns de seus programas censurados, mas conseguiu inovar, tecendo um ?real próprio? , como se fosse uma espécie de ?fábrica? de ideias desprovidas de conflitos. Por exemplo, nos telejornais da Globo, muitas notícias eram veiculadas, os problemas sociais eram mostrados de forma distorcida e sem conflitos e a maior parte da programação era ficcional, sem falar que tudo isso alternava-se com anúncios de produtos voltados para a elite e propagandas do governo. Devido esse fato, muitos especialistas acreditam que a Tv Globo serviu como uma espécie de porta-voz do regime militar.
O sucesso da Tv Globo deve-se também à sua vocação governista, propiciada por altos financiamentos e cordialidades políticas, em virtude disso, a emissora tinha como ?obrigação? silenciar sobre as verdades que ocorriam no país; pois sem isso ela não conseguiria se transformar na 4ª maior emissora de televisão do mundo (como de fato é hoje) ou podia ter o risco de ser fechada, como ocorreu com a Tv Excelsior, que perdeu sua concessão de funcionamento por se mostrar contrária à ditadura.
Ainda segundo o documentário, na década de 1970, as imagens ganharam um tom hipnótico, graças à chegada das cores na televisão; os programas baseados nos padrões norte-americanos se intensificaram, a programação foi diversificada com atrações humorísticas, jogos esportivos transmitidos ao vivo, jornais com notícias rápidas e sem aprofundamento, além de novelas, as ficções campeãs de audiência, que abordavam temas sociais brasileiros de forma ?morna? ou caricatural. Consequentemente, a Globo saiu na frente, conquistando altos índices de audiência, os investimentos em publicidade aumentaram exorbitantemente, trazendo grandes lucros à emissora.
A partir de então, o ?Padrão Globo? de programação já se instaurou, auxiliado pelas imagens extremamente estimulantes que deram um colorido a mais nesse ?real próprio?, fazendo o possível para fragmentar e ocultar o real, oferecendo às pessoas, uma postura consumista e por vezes, até conformista. Tendo isso em vista, Morin (2004) atenta que quando os discursos se fecham em si mesmos, eles se transformam em doutrinas com suas idéias sem espaço para questionamentos, como se fossem verdades absolutas, dogmas que são normalizados coercitivamente, resultando num imprinting cultural.
O poder imperativo e proibitivo [do] conjunto de paradigmas, das crenças oficiais, das doutrinas reinantes e das verdades estabelecidas determina os estereótipos cognitivos, as idéias recebidas sem exame, as crenças estúpidas não-contestadas, os absurdos triunfantes, a rejeição de evidências em nome da evidência, e faz reinar em toda parte os conformismos cognitivos e intelectuais. (Ibid., p.27).

Indubitavelmente, como mostra o documentário, a intenção da Globo de ?mascarar? a realidade evita a possibilidade de surgimento de contracorrentes de contestação, que instigam o debate de opiniões e a relativização das próprias idéias como uma maneira de dialogar com elas. Ressaltando que o questionamento idéias é o primeiro passo para denunciar os erros existentes nelas e perceber que elas podem ser revistas para e pela a própria humanidade.

[...] In: O Trabalho do Antropólogo. Brasília: Paralelo; São Paulo: Editora UNESP MORIN, Edgar. Introdução ao Pensamento Complexo ed. Lisboa: Instituto Piaget Os Sete Saberes Necessários à Educação do Futuro ed. São Paulo: Cortez; Brasília, DF: Unesco SORDRÉ, Muniz. A Consciência e o Olhar. In: A Máquina de Narciso: televisão, indivíduo e poder no Brasil. São Paulo: Cortez Bacharel em Ciências Sociais pela Universidade Estadual do Ceará (UECE). Um fato curioso que não aparece no documentário), entretanto, é que ao falar da ?simpatia? da Globo pelos governos de situação, a própria BBC é uma empresa [...]


[...] Enfim, mesmo com o final do regime militar, a emissora ainda ?censurava? determinados assuntos e com isso garantia ao seu público diversão e informação, isentas de abertura para qualquer descontentamento, buscando passar a noção de bonança num país cheio de desigualdades[3]. Outro fato ocorrido em 1989, em época de eleições presidenciais e em fase de segundo turno, a Globo realizou um debate entre os candidatos Lula (cogitado como o favorito nas opiniões) e Collor. Tendenciosamente, foi veiculado nos jornais da emissora um resumo do debate que priorizou as falas de Collor enquanto que muitas falas de Lula foram cortadas. [...]

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